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A triste geração que virou escrava da própria carreira.

Olá viajantes! Hoje a proposta do texto que trago é pouco diferente do que as comuns dicas de viagens.

Esse texto é da Ruth Manus que é advogada e professora universitária. Eu amo essas palavras e conheço o texto há pouco mais de um ano, então resolvi compartilhar com vocês.

Ele foge da temática viagem, mas não foge da essência do blog que simplesmente é aproveitar a vida valorizando as coisas que parecem pequenas aos nosso olhos.

Eu espero que gostem 🙂

E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

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Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.

Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

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Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.

Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.

Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.

Vamos viver! Todos precisamos trabalhar nesse mundo capitalista que vivemos, isso é fato, mas não priorize o que é material, aproveite sua família, seus amigos, viaje para crescer como pessoa e aprender novas culturas.

Eu te desejo todo amor do mundo ♥

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Fotos sob licença Creative Commons

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15 thoughts on “A triste geração que virou escrava da própria carreira.”

  1. Excelentes palavras, estou com quase trinta, conquistei a pouco uma casa pequena e tenho um carro 94 e não abro mão! kkkkkkkkkkk Me senti bem, pq já abri mão de um trabalho ganhando mais por algo que ganhasse menos e fosse feliz!

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  2. Oie

    Que texto! E muito verdadeiro
    Eu já recebi críticas por optar por um emprego que não ganharia tanto e poderia estar em outro melhor. Mas, felizmente, opiniões não me tiraram do caminho que escolhi. Hoje não ganho horrores, mas estou feliz fazendo algo que gosto.

    bjs

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    1. Fico muito feliz Fê! Pois são escolhas assim que podem mudar totalmente a nossa vida. De que vale um emprego que ganha horrores, não te satisfaz e você gasta metade dele em remédios porque somatiza suas angústias? Fico feliz pela sua escolha 🙂

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  3. Oi Helô! Primeiro obrigada por compartilhar um texto tão lindo, inspirador e real. Eu não o conhecia e ele concorda muito com alguns pensamentos que tenho. O mundo precisa girar e nós precisamos seguir, mas seguir até onde e a que custo, não é? Temos uma sede incontrolável por mais. Simplesmente mais. Mais que o outro, mais que o que temos. E nunca nada parece o bastante. Não sinto tudo que o texto expressa, mas sei que muitos são assim, minha identificação é limitada, porque, já estou quase nos 30 e tô longe dessa conta bancária abarrotada e desse sucesso todo kkkk O que, de todo modo, depois de ler o texto, não chega a ser problemático. ❤
    xoxo

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  4. Isso realmente é o que está acontecendo com a nossa geração, a gente acaba esquecendo das coisas que são realmente importantes e damos mais valor para a carreira, o status e o dinheiro, e é algo que a maioria das pessoas não pensam a respeito. Viramos escravos também da tecnologia, precisamos postar fotos bonitas e parecermos mais felizes do que somos. É uma época complicada de se viver.

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  5. Olá tudo bom?! ótimo texto e forte também, realmente a gente perde muito tempo Correndo atrás de se formar, ter uma boa carreira que esquecemos de viver e de ser feliz, eu esses tempos estava desta forma, só pensava na faculdade, no curso de espanhol e nem via mais a luz do dia!! ótimo Texto vou até compartilhar no facebook!!!

    Curtido por 1 pessoa

  6. Olá tudo bom?! ótimo texto e forte também, realmente a gente perde muito tempo Correndo atrás de se formar, ter uma boa carreira que esquecemos de viver e de ser feliz, eu esses tempos estava desta forma, só pensava na faculdade, no curso de espanhol e nem via mais a luz do dia!! ótimo Texto vou até compartilhar no facebook!!!

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  7. Excelente texto! Estou a poucos passos dos 30 e não vejo que me privei de viver pelo ao contrario troquei trabalho e estudos para criar meu filho e ver todas as fases dele de perto. Hoje trabalho em “casa” na empresa que eu e meu marido estamos construiindo que esse sim trabalha para caramba, mas que também nunca privou a vida por metas finaceiras. Não temos muito mas o pouco que temos somos feliz e o importante damos valor a cada dia de vida.

    Parabéns pelo post! Sempre trazendo bosn textos e conteúdo para o blog.

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  8. Oi Helô, tudo bem? Apesar de não ser tema do blog acho muito válido trazer esse assunto. Antes das redes sociais, tecnologia, etc., as pessoas saiam do trabalho e iam viver suas vidas. Hoje no entanto não sabemos onde para uma coisa e começa outra infelizmente. Ficamos o dia inteiro on line, seja pelo trabalho, pelo blog, ou mesmo sem fazer nada. Poucos são os que fazem uma pausa e descansam a mente =/ uma pena. Beijos, Érika =^.^=

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  9. Oi, td bem ^^? Sabe o que é mais triste de ler esse texto? Saber que vc chegou num ponto que vive ele e realmente, é algo tão automático que muitas vezes não sabemos mais como sair disso. Acho que a cobrança sobre a nossa geração é muito grande e nós sempre procuramos por mais e mais, é como se fosse uma corrida sem ponto de chegada, como se as conquistas não fossem suficientes =/ Mas acho que finalmente estamos vendo que há coisas mais importantes na vida, que felicidade está em pequenos detalhes do dia a dia. Parabéns e linda atitude trazer esse texto para o blog ^^ beijos beijos!

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