Viajar sozinha
mulheres viajantes

Viajar sozinha: “Uai, mas é só pra uma pessoa?”

Se você acompanha o blog, então já leu o post da minha experiência “Viajar Sozinha” .

O retorno dessa publicação foi tão bacana que resolvi ir atrás de relatos de mulheres que tiveram a mesma experiência e hoje temos o relato da Maria Fernanda Romero do Cultura Navegável.

Esse texto vai te motivar a correr atrás dos seus sonhos e parar de se importar com os padrões impostos pela sociedade.

Bora lá? Leia até o final e depois visite a fanpage e o Instagram que estão um sucesso 🙂

Viajar sozinha

Por Maria Fernanda Romero – Cultura Navegável

“Uai, mas é só pra uma pessoa? Por que a menina veio sozinha? Aconteceu alguma coisa?”

Indagava a proprietária do restaurante e camping Casal Garcia enquanto tentava enxergar algo dentro do meu carro. Cheguei na Cachoeira dos Garcias, em Aiuruoca, Minas Gerais de carro e sozinha e estava buscando um lugar para acampar, ou para estacionar o carro e dormir.

Estava viajando sozinha em meu carro desde Florianópolis e Aiuruoca era a minha sexta parada. Em todos os lugares, sem exceção, as pessoas que me atenderam se CHOCARAM pelo fato de eu estar sozinha. Na verdade, nem só as pessoas que me atenderam, tenho amigas muito próximas que eu quase tive que desenhar para elas entenderem que sim! Eu tinha pego meu carro e estava indo conhecer vários lugares que sempre sonhei sozinha.

A nossa sociedade pós-moderna é muito intrigante. Parece que é errado estar sozinho, estar em paz sozinho, estar feliz sozinho…. Por outro lado, as companhias são facilmente substituídas ou virtualizadas. Agora, se uma mulher pega as coisas dela e sai sozinha pelo país e ainda por cima dirigindo seu próprio carro não só parece errado como parece um crime.

É muito bom ter uma companhia para viajar, mas também é muito bom valorizar a sua própria companhia e principalmente não depender de ninguém. Eu amo dirigir, sentir o vento bagunçar meu cabelo na estrada, escutar música bem alto, observar as mudanças nas paisagens e na geografia.

Foi por isso que escolhi estar nesta viagem só. Não foi a minha primeira viagem só e muito menos a última, mas foram 2.754 km rodados entre encontros, desencontros e muitas perguntas inconvenientes.

Por que causa tanto espanto, preocupação e até incômodo nas pessoas encontrarem uma mulher livre? Eu passei perrengues, sim. Em algumas situações eles poderiam ser maiores por eu ser mulher? Sim, mas não porque eu nasci mulher, e sim porque eu cresci mulher em uma sociedade machista. Eu furei o protetor do cárter na descida para uma cachoeira e não tinha a menor ideia do que fazer. Quando eu era pequena ninguém achou que eu deveria aprender sobre carros, como trocar óleo ou como trocar os pneus.

Não faz muito tempo que escrevi sobre o trabalho voluntário que fiz em Portugal, um trabalho que virou um caso de assédio, a princípio engraçado, mas talvez se não tivessem me ajudado o fim ia ser outro. Eu me sinto vulnerável, sim. Eu sei que sou mais vulnerável que um homem. Mas não é justo isso, e não vou deixar de fazer nada por ser uma mulher.

Hoje eu agradeço à todas as mulheres que lutaram por si e por nós. Hoje eu agradeço porque tive oportunidade de estudar, fazer faculdade, trabalhar, sair de casa, ter um carro.

Hoje eu agradeço porque sei que tenho muito privilégio por ter nascido mulher nos anos 90 e no Brasil. Mas hoje eu também luto, porque ainda falta muito. Porque as pessoas se espantam quando digo que estou sozinha.

Porque as pessoas se espantam quando eu tô com amigos. Porque as pessoas se espantam se eu estou em um ambiente “masculino”. E se não perguntam o que estou fazendo lá sozinha, fazem a pergunta que eu escutei de TODOS os homens que falaram comigo na Eslováquia e na Hungria: “Qual deles é seu namorado?”

tenor

Espero que tenha gostado do relato e inspire-se, corra atrás dos seus sonhos e dê um foda-se bem grande para os padrões impostos.

Beijos e uma ótima viagem 😉

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7 comentários em “Viajar sozinha: “Uai, mas é só pra uma pessoa?””

  1. Nossa essas postagens me motivam tanto, tu não faz ideia.
    Eu não tenho noção de como as pessoas agem, é ridiculo pensar que uma mulher não pode viajar sozinha que as pessoas caem em cima com várias perguntas e julgamentos, fico feliz que a Maria encarou isso de frente.

    Uma baita motivação, não pareeee!

    Obrigada,
    http://www.blogdella.com

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  2. Que post/blog lacrador!

    Infelizmente a sociedade nos vê como algo frágil e que não consegue se virar sozinho.
    Há um tempo meu marido viajou e fiquei sozinha em casa. Cê acredita que todos os meus amigos ficaram preocupados e abismados pelo fato de eu ter dormido uns dias sozinha? hahaha
    Detalhe: Sempre morei sozinha, desde os meus 16 anos.

    blogdeaventuras.com ♥

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  3. Como não se sentir motivada com um post desses? ♡
    Depois de tudo que nós mulheres já fizemos chego a me surpreender em ver como a sociedade ainda enxerga a gente como criaturas frágeis e nos criam para sermos assim :/
    Sobrr viajar sozinha, tá bom que de vez em quando é bom fazer umas coisas com outras pessoas, mas não precisa ser tudo o tempo todo. É importante estar em paz com a própria companhia, saber se virar sozinha e gostar disso até porque não dá para ficar dependo dos outros o tempo todo.

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  4. Muito bacana você trazer de volta esse assunto para cá. Fico incrível que tanta gente se chocar com aqueles que preferem viajar sozinhos… e isso deve pesar ainda mais quando a pessoa em questão é uma mulher. Pensar que há uns anos atras nós precisávamos de autorização pra fazer isso.
    Amei demais ler esse relato dela ❤

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  5. Oii! 🙂
    Li o seu post pensando na coragem que você teve para fazer essa viagem e no quanto eu gostaria de fazer o mesmo! É ótimo ter nascido numa época em que temos mais liberdade do que as mulheres que vieram antes de nós, mas também concordo que falta muito! É estranho ler esse texto e pensar só em como você teve coragem, se fosse um post feito por um homem com certeza o meu pensamento seria outro! O que significa que ainda temos muito pelo o que lutar!

    Beijos

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  6. Eu nunca viajei sozinha e para um lugar longe, mas é impressionante o caso que algumas das minhas amigas me contam. Sempre perguntam mesmo e fazem questão disso. Parece que por sermos mulheres não podemos fazer algo que “fuja dos padrões”. É bem chato, e por isso histórias como essa devem percorrer o mundo, para ensinar que somos capazes.

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